A movimentação vai além do consumo realizado dentro da festa. O fluxo de visitantes, profissionais, fornecedores e empresas envolvidos no evento distribui seus efeitos por uma ampla cadeia econômica, em Holambra e em outros municípios da região.
Segundo Laura Santi, da Agência de Desenvolvimento do Circuito das Águas Paulista (ADECAP), turismo e eventos influenciam, direta ou indiretamente, cerca de 47% das atividades econômico-empresariais. Além dos segmentos mais evidentes, como hotéis, restaurantes e transporte, entram nessa cadeia comércio, indústria, vestuário, artesanato, serviços e fornecedores. “O dinheiro do turista alimenta os parceiros da Expoflora, a cidade de Holambra e inúmeras outras cidades de seu entorno”, afirma.
Demanda por hospedagem ultrapassa Holambra
Em dias de maior movimento, a Expoflora chega a receber cerca de 20 mil visitantes, público superior à população inteira de Holambra, que tinha 15.094 habitantes no Censo 2022 do IBGE. A dimensão desse fluxo ajuda a explicar por que os efeitos da festa sobre a hospedagem ultrapassam os limites do município. Embora parte do público faça viagens de bate e volta, a estrutura hoteleira de Holambra não absorve sozinha a demanda dos visitantes que permanecem na região, que se distribui por cidades da Região Metropolitana de Campinas e do Circuito das Águas Paulista.
A Expoflora também interfere na sazonalidade turística da região. Setembro seria tradicionalmente um período de menor movimento, mas a realização da festa amplia a procura por hospedagem ao atrair visitantes de diferentes regiões do país.
Um recorte desse efeito aparece nos números do Campinas e Região Convention & Visitors Bureau. Segundo o diretor executivo da entidade, Fernando Vernier, o aumento da demanda em setembro representa uma projeção de aproximadamente R$ 6,2 milhões adicionais no fluxo de hospedagem apenas entre os hotéis associados ao Convention, que, juntos, somam cerca de 13,5 mil leitos. A conta não inclui a hotelaria de outras cidades fortemente impactadas pela Expoflora, especialmente no Circuito das Águas.
Em Serra Negra, esse impacto também é percebido diretamente na hotelaria. Segundo Cibele Dib, presidente da Associação dos Hotéis e Restaurantes de Serra Negra (Ashores), durante o período da Expoflora a ocupação dos hotéis da cidade registra aumento de aproximadamente 15% em relação à média anual. Parte importante dessa procura vem de grupos turísticos e agências de viagens que organizam roteiros de três a quatro dias, incluindo a Expoflora e outros destinos da região.
Esses roteiros costumam combinar Holambra com cidades como Serra Negra, Águas de Lindóia, Monte Sião e Pedreira, ampliando o tempo de permanência dos visitantes e distribuindo o consumo por hotéis, comércio, bares, restaurantes e outros estabelecimentos.
R$ 150 por visitante por dia em alimentação
A alimentação é outro componente importante dessa movimentação. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes da Região Metropolitana de Campinas (Abrasel RMC) estima em R$ 150 por visitante, por dia, o gasto médio com refeições e bebidas em bares e restaurantes. Esse consumo acontece tanto em Holambra quanto nas cidades onde o público circula ou se hospeda.
Cerca de 7 mil postos de trabalho dentro da Expoflora
Segundo os organizadores, somente as operações realizadas dentro do recinto da Expoflora mobilizam cerca de 7 mil postos de trabalho diretos e indiretos, distribuídos entre equipes do evento, expositores, restaurantes, fornecedores e demais empresas envolvidas em sua realização.
Um exemplo da dimensão desse movimento é o Grupo Casa Bela. Segundo Pablo Schoemaker, CEO do grupo e presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur) de Holambra, a operação da empresa mais que dobra durante a Expoflora. São contratadas cerca de 150 pessoas adicionais para as operações dentro da festa, número quase equivalente ao total de profissionais mantidos normalmente pelas empresas do grupo fora do evento, na cidade de Holambra.
O impacto também aparece no faturamento: para o Grupo Casa Bela, a Expoflora representa aproximadamente 10% de todo o faturamento anual.
Um impacto que não cabe apenas nos números
Parte do resultado da Expoflora, porém, não aparece diretamente nas contas de faturamento. Ao atrair visitantes de diferentes estados e ampla exposição na imprensa e nas redes sociais, o evento também projeta o nome de Holambra nacionalmente e estimula novas visitas ao município ao longo do ano.
“A exposição de Holambra durante esse período aumenta bastante, de forma que nosso município se tornou conhecido no Brasil inteiro. Essa projeção nacional ajuda a criar desejo e trazer visitantes também em outras épocas do ano”, afirma Schoemaker. Para ele, a festa também reforça pelo turismo outro importante motor econômico do município: a produção de flores e plantas.
“A Expoflora vai além do seu período aberto ao público. A atividade econômica se aquece em Holambra e em toda a região, injetando recursos de fora de nossa região dentro de nossa microeconomia”, resume. “A projeção da Expoflora leva o nome de Holambra para todo o País e assim se alimenta o desejo daqueles que buscam conhecer a nossa cidade.”
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